“MAUS” PENSAMENTOS OU PENSAMENTOS IMPRÓPRIOS E PENSAMENTOS SUPERSTICIOSOS

São comuns no TOC os chamados “maus pensamentos”, “pensamentos ruins”, ou simplesmente pensamentos impróprios. Eles geralmente se incluem numa das seguintes categorias: pensamentos agressivos de caráter impróprio ou cenas violentas invadindo a cabeça, chamados popularmente de pensamentos “horríveis”; pensamentos de conteúdo sexual impróprio; pensamentos de conteúdo religioso blasfemo, escrupulosidade excessiva e pensamentos “ruins”, de conteúdo catastrófico. Eles são muito mais comuns do que se imaginava, e eventualmente todos nós temos alguns destes pensamentos em algum momento. É comum, por exemplo, um adolescente imaginar-se momentaneamente fazendo sexo com a mãe ou irmã. Como no mesmo momento se dá conta de que “estava pensando uma besteira”, não dá maior importância à ocorrência de tal pensamento ou de que possa um dia vir a praticá-lo, o pensamento ou a cena desaparecem por si. Já o portador do TOC fica chocado com tais cenas, que são acompanhadas de grande aflição, interpreta sua presença como indicativa de existir algum risco de algum dia vir a praticá-las e tenta, sem sucesso, afastá-las da mente. Passa ainda a vigiar os próprios pensamentos, e, paradoxalmente quanto mais tenta afastá-los ou quanto mais importância der à sua presença, mais intensos eles se tornarão.
Pensamentos, impulsos ou cenas de conteúdo agressivo ou violento
NO TOC são bastante comuns pensamentos ou impulsos impróprios, cenas de conteúdo agressivo ou violento. Alguns exemplos:
Atirar o bebê pela janela;
Intoxicar o filho com venenos domésticos, como raticidas ou gás;
Empurrar alguém (uma pessoa idosa, uma criança) escadaria abaixo;
Dar um soco numa pessoa ao cumprimentá-la;
Jogar o carro em cima de um pedestre;
Atropelar pessoas idosas;
Como forma de diminuir a aflição e o medo que acompanha essas obsessões, os portadores do TOC, além de tentar afastá-las da cabeça. Além disso, o medo de que venha um dia a praticá-los leva o paciente a adotar medidas para impedir que possam vir a acontecer como: colocar telas nas janelas para evitar jogar o bebê num momento de descontrole; evitar comparecer a eventos sociais ou cumprimentar pessoas; checar a sacola várias vezes para ver se não tem algum veneno com o qual possa contaminar o filho.
Pensamentos impróprios relacionados com sexo
São comuns pensamentos, impulsos intrusivos e impróprios ou cenas de conteúdo sexual como:
Fixar os olhos nos genitais de outras pessoas;
Molestar sexualmente crianças;
Abaixar as calças ou arrancar a roupa de outras pessoas;
Ter uma relação sexual com um irmão, irmã pais, tios;
Violentar sexualmente uma pessoa conhecida ou desconhecida;
Praticar sexo violento ou sexo perverso (p. ex. com animais).
É importante destacar que fantasias sexuais de conteúdo excitante e prazeroso, quando folheamos uma revista, assistimos a uma cena ou filme de conteúdo erótico, ou enxergamos uma pessoa sexualmente atraente, fazem parte da nossa vida mental, e não só devem ser consideradas normais como representam um sinal de saúde. É importante destacar: seu conteúdo é agradável, excitante, provoca o desejo e, sobretudo, prazeroso. Já as obsessões de conteúdo sexual impróprio do TOC são acompanhadas de aflição ou angústia, são desagradáveis, são consideradas claramente impróprias ou antinaturais e contrariam os próprios desejos e princípios dos seus portadores. Por esses motivos a conseqüência imediata, em vez do desejo, excitação ou prazer, é a angústia a aflição, o medo e até a depressão. Por esse motivo são adotadas medidas destinadas a neutralizar esses sentimentos desagradáveis como lutar contra esses pensamentos e tentar afastá-los, ou realizar rituais como lavar-se, confessar-se, rezar, ou aplicar castigos corporais.
Pensamentos de conteúdo blasfemo
No TOC também são comuns pensamentos de conteúdo considerado blasfemo pelos seus portadores
Cenas repetitivas praticando sexo com a Virgem Maria ou os santos (as).
Cenas ou pensamentos de conteúdo sexual com Jesus Cristo na cruz;
Pensar no demônio ou em “entidades” ou divindades de outras religiões;
Dizer obscenidades ou blasfêmias num momento em que todos estão em silêncio durante a missa de domingo.
Essas obsessões são provocadoras de grande ansiedade particularmente em pessoas religiosas. Na religião católica em particular, os pensamentos de conteúdo blasfemo, foram associados à noção de pecado e eventualmente de pecado mortal, representando um risco de condenação ao fogo do inferno. É comum a necessidade de confessar-se repetidamente ou de fazer outros rituais de purificação como rezas, banhos, lavagens ou penitências como forma de neutralizar a aflição associada.
Obsessões ou compulsões de conteúdo supersticioso
Todos nós temos algumas superstições, que fazem parte da nossa cultura assim como da cultura de todos os povos, e eram particularmente comuns entre os povos primitivos. Não passar embaixo de escadas, evitar cruzar com um gato preto na rua, são atitudes que para muitos podem prevenir azares. Bater 3 vezes na madeira dá sorte; deixar os chinelos virados pode dar grande azar. O número 13 é considerado por muitos um número de azar, especialmente se o dia 13 cair em uma sexta-feira. O número 27 é de sorte. Em outros casos, sonhar com um número, pode representar a possibilidade de ganhar na loteria. O que distingue as superstições que fazem parte da cultura, das obsessões como sintomas do TOC é a intensidade com que se acredita nelas, o quanto interferem na vida diária e o grau de aflição que provocam caso sejam contrariadas.
No TOC as superstições têm alguma conecção com objetos temidos que ficaram associados a azares (doença, morte) e, como conseqüência, são evitados objetos ou lugares que possam provocar tais azares. Se você não sai de casa de forma alguma ou se sair é com grande aflição, nos dias que contém o número 3, o número 7, ou números ímpares, ou necessita interromper completamente suas atividades quando o ponteiro dos relógios estiver ultrapassando o número 6, caso contrário poderá ocorrer alguma desgraça, então você pode ter as chamadas obsessões de conteúdo supersticioso ou mágico.

Contar, repetir
Contar mentalmente é bastante comum em momentos de ansiedade. Enquanto você espera o resultado do vestibular no saguão da faculdade ou aguarda na fila do banco ou na sala de recepção do seu médico, mentalmente você passa a contar os quadros na pare­de, o número de janelas do prédio, de pessoas na fila, ou fica assoviando repetidamente uma música. Essas contagens e repetições são normais, porque, se você desejar, pode interrompê-las sem ficar aflito.
Em portadores do TOC é comum a necessidade de contar mentalmente enquanto realiza uma determinada atividade ou de repetir certas tarefas ou certos comportamentos: contar as janelas dos edifícios; repetir uma reza um número exato de vezes antes de deitar, lavar cada lado do corpo ou escovar os dentes três vezes, ler letreiros ou placas da rua, somar os números das placas dos carros na rua (e eventualmente tirar os noves fora). Outras repetições eventualmente são realizadas num determinado número previamente determinado. Ler ou reler o mesmo parágrafo ou página de um jornal ou de um livro, pôr e tirar uma determinada peça de roupa, atar e desatar o cadarço dos sapatos, apagar e acender a luz, sentar e levantar da cadeira, entrar e sair de uma peça da casa, esfregar o sabonete ou passar o xampu no cabelo um número “X” de vezes, são alguns exemplos muito comuns. O pensamento que está por trás de tais contagens e repetições é de que algo ruim poderá acontecer se tais atos não forem executados na forma ou no número exato de vezes ou pré-determinado, e somente procedendo dessa maneira ritualística você conseguirá impedir o pior. E, se por acaso se distrai, erra a contagem ou não segue exatamente a seqüência estabelecida, recomeça tudo, até executar o número exato previamente estabelecido, o que faz com que se sinta um verdadeiro prisioneiro de seus medos e dos seus rituais. Essas repetições podem tomar muito tempo atrasando sua saída mais de casa ou seu trabalho.
Compulsões por ordem, simetria, seqüência ou alinhamento
Manter os papéis em cima da escrivaninha ou as roupas nas prateleiras do guarda roupa numa certa ordem é desejável. Mas quando se perde muito tempo alinhando objetos no armário do banheiro, os livros na estante, os pratos e talheres na mesa, ou quando qualquer objeto fora do lugar ou não provoca grande aflição e desencadeando o impulso de alinhá-lo, estamos diante de mais um típico sintoma do TOC.
Também é comum ter que realizar determinadas tarefas numa determinada seqüência ou de acordo com uma certa regra. Uma paciente, ao entrar em casa, sentia-se obrigada a contar os quadros da sala em uma determinada ordem (sempre a mesma); uma outra se obrigava ao entrar no edifício e em seu apartamento fazendo sempre o mesmo trajeto: passando entre duas colunas e depois, no apartamento, repassar na mesma ordem todas as peças da casa; um outro paciente tinha uma detalhada seqüência de procedimentos antes do banho: alinhava as roupas em uma certa ordem sobre uma banqueta, colocava o tapete de borracha exatamente no centro do boxe e alinhava outro tapete do lado de fora, consumindo entre 10 e 15 minutos nesse ritual.
Armazenar, poupar, guardar ou colecionar objetos inúteis (colecionismo)
É a tendência a guardar e a dificuldade em se desvencilhar de objetos sem valor, ou inúteis, ou demasiados, que passam a ocupar espaços de tal forma a causar transtornos. As pessoas que têm obsessões e compulsões de armazenagem, também chamadas de colecionismo, apresentam ansiedade intensa se necessitam se desfazer de algum objeto, mas ao mesmo tempo têm dificuldade em classificar e organizar e se sentem bem, com grande quantidade de coisas à sua volta.
Nós todos guardamos certos objetos que tem algum valor afetivo. Os portadores do TOC, entretanto, não conseguem distinguir entre objetos de valor afetivo e lixo. Guardar papéis ou recortes de jornais pode ser útil em algumas circunstâncias. Porém, ter prateleiras ou até peças da casa cheias de revistas ou jornais velhos, caixas de sapato vazias, embalagens e garrafas de vazias, recibos de contas vencidas e pagas há muito tempo, roupas que não servem mais ou que estão fora de moda, sapatos que não serão mais usados, etc., pode caracterizar um sintoma do TOC: o colecionismo, ou seja, a tendência a guardar e armazenar coisas inúteis. No caso do TOC são objetos efetivamente sem valor real. Discute-se se os armazenadores constituem ou não um grupo distinto de TOC, pois não respondem aos medicamentos inibidores da recaptação da serotonina, e respondem menos à TCC que os portadores de outros tipos de sintomas. No livro você encontrará um capítulo inteiro sobre o colecionismo – o capítulo 13, no qual esse quadro será abordado com bem mais profundidade.
Lentidão obsessiva
É comum, em portadores do TOC, a lentidão ao executar tarefas. Essa lentidão pode ocorrer em razão de dúvidas, repetições para “fazer a coisa certa ou exata…” (tirar e colocar a roupa várias vezes, sentar e levantar, sair e entrar, etc.), verificações repetidas (trabalho, listas, documentos), banho demorado, tempo demasiado para se arrumar (perfeccionismo), ou do adiamento de tarefas devido à indecisão (necessidade de ter certeza).

Leia mais no link abaixo:

Fonte: Dr.Aristides Volpato Cordioli

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