Pixinguinha, um dos maiores gênios da música popular brasileira e mundial foi um dos mais férteis compositores
da MPB (mais de 200 mil músicas). Entre suas composições eu acho especialmente
geniais “Carinhoso”, composta em 1917 e gravada em 1928 (instrumental) sendo que
a letra foi feita por João de Barro 1937, para gravação de Orlando Silva. E
também “Rosa” (letra de Otávio de Souza). Gravada recentemente por Marisa Monte
e também por Luiz Melodia (minha versão preferida).

Pixinguinha que iniciou na infância
tocando flauta trocou pelo saxofone
em 1946, devido a problemas com a bebida. Alias em 1927, Pixinguinha, abriu um
boteco na Praia de Ramos, Rio de Janeiro, vendia bebidas, salgadinhos etc. Em
pouco tempo quebrou devido aos amigos que passavam dias bebendo sem pagar.

Quase todos eram músicos em sua
família. Começou a viver de música aos 14 anos, tocando em festas e bailes e
cassinos.Só apareceu para o grande público nas salas de cinema acompanhando os
filmes mudos. Neto de escravos encarou o preconceito da aristocracia com sua
banda composta basicamente negros. Chegou a um ponto que as pessoas iam ao
cinema mas ficavam na sala de espera prá vê-los tocar. É curioso que Pixinguinha
foi contratado pelo luxuoso Cine Palais porque o cinema Odeon defronte tinha
contratado o grande Ernesto Nazaré para atrair visitantes. Era uma época de em
que o medo da gripe espanhola espantava o público de lugares fechados.

Apesar de não ser de muita
farra, não dispensava uma cachacinha. Exagerava de vez em quando na pinga e ia
parar no hospital levado pela mulher Jandira. Quando ela morreu Pixinguinha se tornou triste e solitário
vindo a falecer de enfarte seis meses depois, em janeiro de 1973, na sacristia
de uma igreja.

Curiosidades:

Pixinguinha foi abordado certa vez por
três ladrões que logo o reconheceram e desistiram do assalto. Ele levou os caras
prá beber e já amanhecendo perguntou: “Querem algum para a
passagem?”

O apelido Pixinguinha foi uma
modificação do termo africano “Pizindin” (menino bom), depois virou “Pizinguim”
(menino bobo) e mais tarde combinado com o fato dele ter ficado com marcas de
varíola no rosto (bexiga) ficou “Bexiguinha”.Mais tarde virou “Pixinguinha”.

Abaixo a letra de Rosa que
foi colocada na linda melodia de Pixinguinha:


Rosa

Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada e
formada com ardor
Da alma da mais linda flor de mais ativo olor
Que na
vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente aqui nesse
ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
O teu coração junto
ao meu lanceado pregado e crucificado
Sobre a rósea cruz do arfante peito
teu
Tu és a forma ideal, estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro
amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
que em todo coração sepultas o amor
O riso, a fé e a dor em sândalos olentes
cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea
estrela, és mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo
resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te eu hei de sempre
amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus quanto é triste a
incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar em conduzir-te um dia
aos pés do altar
Jurar, aos pés do onipotente em preces comoventes de
dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos em
nuvens de beijos
Hei de te envolver até meu padecer de todo
fenecer

Via: TERRA FOLHA e BIOGRAFIAS