PORQUE MOSQUITOS NÃO PODEM TRANSMITIR AIDS (Why Mosquitoes Cannot Transmit Aids)

Professor Wayne J Crans, entomologista.

Achei este interessante artigo sobre porque os mosquitos não podem transmitir AIDS. Vou traduzir livremente para os leitores que não são familiarizados com o idioma inglês. Aviso que não trabalho na área de saúde e portanto não teria como responder nenhuma dúvida sobre este assunto:

PORQUE MOSQUITOS NÃO PODEM TRANSMITIR AIDS (Why Mosquitoes Cannot Transmit Aids)

por Wayne J. Crans
Tradução para o português por: Daniel Elói Pedroso de Oliveira
Artigo original Neste link ou Aqui

A possibilidade dos mosquitos transmitirem AIDS foi levantada pela imprensa logo que a doença foi reconhecida e o assunto ainda é publicada por tablóides que buscam incrementar sua circulação. O assunto foi iniciado por relatos de uma pequena comunidade no sul da Flórida onde evidências preliminares sugeriam que mosquitos poderiam ter sido responsáveis pelo aumento na média de incidência de AIDS na população local. A mídia foi rápida ao publicar as alegações de que os mosquitos estavam envolvidos na transmissão da AIDS, apesar dos levantamentos científicos do Centro Nacional para Controle de Doenças claramente demonstrarem que a transmissão de AIDS por mosquito naquela comunidade era altamente improvável. Apesar disso, algumas publicações perpetuaram a idéia de que mosquitos transmitem AIDS, e muitas pessoas ainda sentem que os mosquitos podem ser responsáveis pela transmissão desta infecção de um indivíduo para outro.

Existem três teóricos mecanismos que permitiriam que insetos sugadores de sangue tais como os mosquitos poderiam transmitir AIDS:

No primeiro mecanismo, um mosquito iniciaria o ciclo alimentando-se do sangue de um portador de HIV e ingerindo o virus. Para o vírus ser passado adiante, ele teria que sobreviver dentro do mosquito, de preferência reproduzindo-se e então migrar para as glândulas salivares do mosquito. O mosquito infectado procuraria então alimentar-se do sangue de um segundo indivíduo não contaminado e transferiria de suas glândulas salivares o vírus durante o processo de sucção. Este mecanismo é usado pela maioria dos parasitas de mosquitos, incluindo a malária, a febre amarela, a dengue e o vírus da encefalite.

No segundo mecanismo, um mosquito iniciaria o ciclo alimentando-se num portador de HIV e sendo interrompido depois de já ter sugado sangue. Ao invés de continuar a refeição parcial no seu hospedeiro inicial, o mosquito selecionaria uma pessoa livre de AIDS para completar a refeição. A medida que o mosquito penetrasse a pele do novo hospedeiro, ele transferiria unidades do vírus que estivessem aderindo à sua boca desde à refeição anterior. Este mecanismo não é comum em mosquitos vetores, mas a anemia infecciosa eqüina é transmitida aos cavalos desta maneira ao serem picados por moscas.

O terceiro teórico mecanismo também envolveria um mosquito que fosse interrompido enquanto estivesse se alimentando de um portador de HIV e continuasse a refeição num indivíduo diferente. Neste cenário, porém, o novo hospedeiro esmagaria o mosquito que está tentando se alimentar e espalharia sangue contaminado pelo HIV sobre o orifício feito pelo mosquito. Em teoria, qualquer vírus sendo carregado por um mosquito poderia ser transmitido desta maneira fornecendo quantidade suficiente de vírus para iniciar uma re-infecção pela contaminação.

Cada um destes mecanismos tem sido investigado com uma variedade de insetos sugadores de sangue e os resultados claramente mostram que mosquitos não podem transmitir AIDS. Relatórios sobre descobertas recentes, porém, tem sido confusos e a interpretação da media sobre eles não tem sido clara.

O indivíduo comum ainda não está convencido que os mosquitos não estão envolvidos na transmissão de uma doença que aparece no sangue, é passada de pessoa a pessoa e pode ser contraída por pessoas que compartilhando agulhas hipodérmicas. Aqui estão apenas algumas das razões porque os estudam tem mostrado que mosquitos não podem transmitir AIDS:

Mosquitos Digerem o Vírus Que Causa a AIDS

Quando um mosquito transmite um agente infeccioso de uma pessoa a outra, o agente deve permanecer vivo dentro do mosquito até que a transferência esteja completa. Se o mosquito digere o parasita, o ciclo da transmissão é finalizado e o parasita não pode passar para o próximo hospedeiro. Mosquitos que transmitem parasitas têm formas interessantes de evitar que sejam tratados como comida. Alguns são imunes às enzimas digestivas dentro do estômago do mosquito; a maioria seguem para fora do estômago o mais rápido possível para evitar que as poderosas enzimas digestivas que eliminariam rapidamente sua existência. Os parasitas da Malária sobrevivem dentro dos mosquitos de 9 a 12 dias e na verdade atravessam uma série de estagios de vida durante este período. O vírus da Encefalite sobrevive de 10 a 25 dias dentro de um mosquito e replica-se muito durante o período de incubação.

Estudos com HIV claramente mostram que o vírus responsável pela infecção da AIDS é tratado pelo mosquito como alimento e é digerido juntamente com o sangue que lhe serve de alimento. Como resultado, mosquitos que ingerem sangue infectados pelo HIV digerem este sangue de 1 a 2 dias e destroem completamente qualquer partícula de vírus que possam potencialmente produzir uma nova infecção. Uma vez que o vírus não sobrevive para reproduzir-se e invadir as glândulas salivares o mecanismo que os mosquitos portadores de parasitas usam para levar de um hospedeiro a outro não é possível com o HIV.Mosquitos não ingerem Partículas suficiente de HIV para Transmitir AIDS por Contaminação

Insetos portadores de agentes patológicos que possuem a habilidade de transferir de um indivíduo ao próximo através das estruturas de sua boca devem ter em suas correntes sangüineas um altíssimo número de vírus. A transferência de vírus pela boca requer um número suficiente de partículas contaminadas para gerar uma nova infecção. O número exato de partículas infecciosas variam de uma doença para outra. O HIV circula em pouquíssimo número no sangue – bem abaixo dos níveis de qualquer outra doença conhecida que seja transmitida por mosquitos vetores. Indivíduos infectados raramente tem mais do que 10 unidades de HIV na circulação, e 70 a 80% das pessoas infectadas tem níveis indetectáveis de partículas de unidades de virus em seu sangue.

Cálculos feitos com mosquitos e o HIV mostram que um mosquito que tem sua alimentação interrompida ao sugar o sangue de uma pesssoa HIV positiva com 1000 unidades de HIV, tem a probabilidade de 1:10 milhões de injetar uma simples unidade de HIV para uma pessoa sadia. Em termos leigos um indivíduo livre de HIV teria que ser picado por 10 milhões de mosquitos que tivessem começado a se alimentar de um portador de HIV para receber paenas uma unidade de HIV da boca de mosquitos contaminados. Usando o mesmo cálculo, esmagar um mosquito totalmente cheio de sangue com AIDS ainda não se aproximaria dos níveis necessários para iniciar uma infecção.

Em resumo, a transmissão de AIDS por mosquitos contaminados parecem estar bem além dos limites da probabilidade. Portanto, nenhum dos mecanismos citados anteriormente parecem ser possíveis para a transmissão de HIV.

Mosquitos Não São Agulhas Hipodérmicas Voadoras

Muitas pessoas vêem os mosquitos como pequenas seringas hipodérmicas e se agulhas podem transmitir HIV de um indivíduo a outro então os mosquitos possuem a capacidade de fazer o mesmo. Nós já vimos que indivíduos infectados pelo HIV não possuem na circulação número suficiente para desencadear esse tipo de contaminação. Entretanto, mesmo se indivíduos HIV-positivos tivessem alto número de vírus em sua circulação, os mosquitos não poderiam transmitir pelos métodos que são empregados no uso de seringas usadas. A maioria das pessoas têm consciência de que os mosquitos regurgitam a saliva antes de se alimentarem, mas não sabem que o canal de alimentação e o canal salivar são passagens separadas no mosquito.

O aparelho de alimentação do mosquito é uma estrutura extremamente complicada que é totalmente distinto de uma simples seringa. Ao contrário de uma seringa, o mosquito solta fluídos salivares através de uma passagem e suga sangue por outra . Como resultado o canal de alimentação é enchido de sangue e este sangue flui sempre de forma unidirecional.

Os mecanismos envolvidos na alimentação dos mosquitos são totalmente diferentes dos mecanismos com os usuários de drogas são infectados pelas agulhas. Em resumo, os mosquitos não são agulhas hipodérmicas voadoras e um mosquito que injeta saliva em seu corpo não está o injetando o resto de sua última refeição.

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