Excelente e divertido conto do dramaturgo Inglês George Bernard Shaw (A Serenata) :

A SERENATA

Festejei o meu quadragésimo aniversário natalício, com uma daquelas representações teatrais pelas quais a minha casa em Backenham é famosa. A peça escrita por mim, como é costume, era uma história de fadas, em três actos e todo o seu enredo girava em torno de uma trompa mágica que o herói, um jovem príncipe persa, possuía. As minhas obras já são muito conhecidas para que valha a pena descrever o argumento em todos os seus pormenores. Devo, apenas, elucidar o leitor, que uma das importantes cenas do segundo acto é a interrupção de um festival pelo toque lúgubre da trompa do tal príncipe persa, enterrado no coração de uma montanha magnética, por uma feiticeira maligna. Eu contratara o cornetim da banda do meu regimento para se desempenhar do dito pormenor, e ficara combinado que ele iria colocar-se, não nos bastidores, mas lá em baixo, no «hall», para que o efeito fosse o de uma trompa ressoando ao longe.
A recepção começou muito bem. Houve um desapontamento natural ao saber-se que eu não
representaria, mas os meus convidados desculparam-me de boa vontade, quando invoquei o meu duplo dever de dono da casa e director de cena. O melhor lugar do auditório fora reservado para a lindíssima Linda Fitznightingale. A cadeira ao lado, que eu destinara para mim, fora ocupada (com certo atrevimento) por Porcharlester do 12.º Regimento, um jovem muito amável, dotado de relativo talento musical e de uma voz de barítono afeminado que ele, sagazmente, muda para o tom de tenor.
Como a paixão de Linda pela música se aproximava do fanatismo, aquela única faculdade vocal de Porcharlester dava-lhe aos olhos dela, uma vantagem sensível sobre todos os homens de físico mais sólido e de mais idade. Resolvi interromper aquele «flirt», assim que ficasse livre, o que não foi tão depressa como eu julgava, pois reconheço ser um tipo exigente, cuidando que tudo quanto possa vir a ser utilizado nas representações dadas em minha casa, esteja à mão e no seu devido lugar. Por fim, «Miss» Waterloo, que desempenhava o papel de heroína, queixou-se da minha ansiedade dizendo-me que eu a punha nervosa, e pediu-me que fosse para a sala. Obedeci da melhor vontade e apressei-me a encaminhar-me para onde Linda se encontrava. Quando me acerquei da sua cadeira, Porcharlester ergueu-se, dizendo:
– Vou dar uma olhadela pelos bastidores se é que é permitida a entrada, ali, a pessoas estranhas ao serviço…
– Pode ir – disse eu, encantado por me ver livre dele. – Mas não interfira em coisa alguma. O mais pequeno contratempo…
– Está bem – interrompeu-me ele. – Eu sei como o senhor é «miudinho». Garanto-lhe que não tirarei as mãos dos bolsos, todo o tempo.

– O senhor não deveria consentir na falta de respeito de Porcharlester para consigo, coronel Green –
disse-me Linda, quando o outro se retirou. – Além disso, estou certa de que o rapaz não mexerá em nada,
nos bastidores.
– Rapazes serão sempre rapazes. Aliás, as maneiras de Porcharlester não são diferentes das do general
Johnston que já é um homem de idade avançada. Diga-me, como vão os seus estudos musicais?
– Oh, Schubert enfeitiçou-me, sabe? Ah, coronel Green, conhece a Serenata de Schubert?
– Conheço. Lindíssima. Não é assim? Tirara-ra, tirarara-ra, tira, tarirara-rô.
– Sim, é mais ou menos isso. Mr. Porcharlester saberá cantá-la?
– Tenta. Mas na minha opinião, ele só tem voz para a música ligeira. Em peças que exijam um sério sentimento, ideias profundas, simpatia amadurecida, não me parece que…
– Sim, sim, sei que o senhor não leva Mr. Porcharlester, a sério. Mas gosta da serenata?
– Hum! Bem, o facto é… e a senhora gosta?
– Adoro-a. Sonho com ela. Tenho vivido dessa música, nestes últimos dias!
– Confesso que a Serenata de Schubert sempre me pareceu uma peça de música de excepcional beleza.
Espero ter o prazer de a ouvir, cantada por si, quando acabar a representação.
– Eu! Cantá-la? Oh, não me atrevo. Ah! Aí vem Mr. Porcharlester. Obrigá-lo-ei a prometer-me que a cantará, daqui a pouco.
– Green – disse Porcharlester, com mal disfarçado sarcasmo. – Não quero trazer-lhe preocupações desnecessárias, mas o tipo encarregado de tocar a trompa mágica, ainda não chegou.
– Santo Deus! – exclamei. – Disse-lhe para estar aqui, às sete e meia em ponto. Sem ele, a peça vai ser um fiasco.
Pedi perdão a Linda, pela minha brusca retirada e apressei-me a correr ao «hall». A trompa estava sobre a mesa. Porcharlester recorrera a um infame truque para se ver livre de mim. Eu estava já disposto a voltar, afim de lhe pedir uma explicação, quando me ocorreu que, de facto, o cornetim poderia ter deixado o instrumento ali, após o ensaio da manhã, e ainda não ter aparecido. Contudo, um criado que eu chamei, informou-me de que o homem chegara com uma pontualidade militar, às sete e meia e fora, de acordo com as minhas ordens, introduzido na copa, para tomar um copo de vinho e uma «sandwich».
Porcharlester, ludibriara-me, pois. Quando o criado se retirou, deixando-me só e zangado, a minha curiosidade foi atraída para o brilho metálico da trompa, que jazia sobre a mesa. Entre os objectos inanimados que me rodeavam, aquele instrumento parecia silencioso e imóvel, num mundo à parte, como se, albergando em si um som aterrorizador, aguardasse o momento propício para o libertar.
Aproximei-me da mesa e, cautelosamente, tacteei com o dedo, um dos pistões. Após uma leve hesitação, ousei premi-lo. Soltou um estalido. Nesse momento, um ruído na copa, fez-me recuar, assustado. A campainha do contra-regra retiniu. Era o sinal para o cornetim se preparar para entrar em atenção.
Aguardei o aparecimento do homem, receoso de que ele notasse eu ter estado a mexer no instrumento.
Mas ele não apareceu. A minha ansiedade aumentou; corri à copa. Ao entrar, deparei com o soldado de cabeça repousada sobre os braços cruzados à laia de travesseiro. Dormia regaladamente, e à sua frente estavam cinco canecas vazias. Agarrei-o pelo ombro e sacudi-o com violência. Ele resmungou, abriu os olhos, empurrou-me e recaiu na insensibilidade.
Enraivecido, jurando aos meus botões que o faria fuzilar no dia seguinte por insubordinação, voltei ao vestíbulo. A campainha retiniu, de novo. Este segundo sinal era para o soldado tocar a trompa. O palco esperava. Só havia uma maneira de salvar a situação. Agarrei o instrumento levei-o à boca, e soprei com força. Baldado esforço! O maldito não soltou um único som. Fiquei roxo de tanto soprar. De novo, a campainha rompeu, exigente, o silêncio da sala. Então, tomado de súbito furor, empunhei a trompa como se esta fosse um torno, enchi os pulmões, ferrei os dentes no bocal, como se o fosse trincar de lado a lado, e cuspi com toda a força. O resultado foi uma rajada ensurdecedora. Senti uma pancada tremenda nos tímpanos, os globos do candeeiro tremeram, os chapéus dos convidados saltaram das escápulas onde estavam pendurados, o soldado surgiu, à porta da copa, pálido, como se a trombeta do Dia de Juízo o tivesse arrancado do sono da morte, e eu, premindo com as palmas das mãos, as fontes latejantes, voltei-me para defrontar os convidados que me olhavam, boquiabertos, do alto da escadaria.
Durante os três meses seguintes, estudei a arte de tocar trompa, sob a direcção de um profissional. É certo que o homem me aborrecia com as suas maneiras de classe baixa e o seu enfadonho costume de repetir que a «trumpa», como ele lhe chamava, era o «enstromento» que mais se assemelhava à voz humana; mas sou forçado a reconhecer a sua competência e boa vontade. E eu perseverava, apesar dos múltiplos protestos dos meus vizinhos. Por fim, aventurei-me a perguntar ao meu professor, se me achava bastante avançado para tocar um solo privado a um amigo íntimo.
– Bem, coronel – disse o digno homem – para lhe dizer a verdade, acho ainda cedo. O senhor toca com muita força. Acredite, senhor, essa força é escusada e além disso, estraga o som. Qual era o solo?
– Qualquer coisa. A serenata de Schubert, por exemplo.
Olhou-me fixamente e fez um aceno negativo com a cabeça.
– Não foi escrita para este «enstromento», coronel. Nunca será capaz de tocá-la.
– A primeira vez que a tocar, sem um erro, dar-lhe-ei cinco guinéus além dos seus honorários.
Esta promessa dissipou-lhe todas as dúvidas. Apesar de toda a minha perseverança, levei tempo a aprender a Serenata, pois não só era extremamente difícil, como bastante incerta. Mas por fim, triunfei.
– No seu caso, coronel – aconselhou-me o meu professor ao mesmo tempo que metia os cinco guinéus, na carteira – guardaria essa música para mim, e tocaria coisas mais simples para distracção dos amigos. É verdade que o senhor é capaz de a tocar menos mal, mas só quando estou presente. Verá que não estando eu a seu lado, a execução desta música ser-lhe-á muito mais difícil.
Não fiz caso daquele conselho cujo bom senso reconheço agora. Naquele tempo, porém, eu alimentava o insensato projecto de fazer uma serenata a Linda. A sua casa, situada na extremidade norte de Park Lane, prestava-se admiravelmente para tal, e eu já subornara um criado para ele me introduzir no pequeno jardim, que ficava entre a casa e a rua.
Uma noite, cerca das nove horas, meti a trompa no estojo e enfiei num «coupé», de onde só desci em Marble Arch, na intenção de fazer a pé o resto do caminho. Nesse momento, uma voz chamou pelo meu nome; era Porcharlester. Como de forma alguma me convinha ser interrogado sobre o meu destino, achei preferível ser eu a perguntar-lhe aonde ia ele, monopolizando assim a conversa.

– Vou a casa de Linda – respondeu o meu rival. – Ela ontem deu-me a perceber que hoje não teria visitas.
Não me importo de lhe dizer essas coisas, coronel. O senhor é um homem de honra, e sabe que eu adoro essa mulher. Se eu tivesse a certeza de que ela está apaixonada por mim, e não pela minha voz, seria o homem mais feliz da Inglaterra.
– Oh, não! Pela sua voz não pode ser, tenho a certeza.
– Oh, muito obrigado – exclamou ele, apertando-me a mão. – O senhor faz-me criar alma nova. Contudo, confesso-lhe que me sinto quase desmaiar, quando olho para ela. Sabe que eu nunca mais tive coragem para cantar a Serenata de Schubert, desde o dia em que Linda me disse ser a sua peça favorita?
– Porquê? Ela não gosta que o senhor a cante?
– Se lhe digo que nunca tive coragem para a cantar diante dela, embora Linda esteja sempre a pedir-me.
Até já tenho ciúmes da maldita música. No entanto, como seria capaz de dar a própria vida só para lhe ser agradável, reservei-lhe essa surpresa para amanhã, em casa de Mrs. Locksly. Tenho estado a tomar lições de canto, e a trabalhar como um burro, para poder cantar a Serenata, sem cometer uma falta. Se o senhor encontrar Linda, não divulgue o meu segredo. Quero que seja surpresa.
– Não duvido que vai ser uma grande surpresa – disse eu, exultando com a ideia de que ele chegaria um dia atrasado. Tinha a certeza de que seria preciso uma voz muito mais bela que a dele para poder rivalizar com a suavidade, melancolia, ameaça soturna e expansão da minha trompa. Separámo-nos; e eu vi-o entrar em casa de Linda. Alguns minutos depois, encontrava-me no jardim. Do sítio onde eu estava, podia vê-los muito bem, sentados junto à janela, conquanto não conseguisse ouvir o que diziam.
Porcharlester parecia resolvido a ficar ali eternamente. A noite estava um pouco fria, e a erva, húmida.
Bateram as dez horas, dez e um quarto, dez e meia. Quase me resolvera a abandonar o campo.
Felizmente, Linda tocou ao piano algumas peças do seu repertório, que vieram aliviar a solidão em que eu me encontrava. Por fim, os dois levantaram-se e agora, eu podia ouvir, perfeitamente, o que diziam.
– Sim – admitiu Linda – já vão sendo horas. (Concordei plenamente com as suas palavras). Mas o senhor podia ter cantado a Serenata. Olhe que a toquei três vezes para o incitar…
– Apanhei uma constipação tremenda – disse Porcharlester. – Garanto-lhe que me é impossível. Boa noite!
– Lérias! O senhor não mostra o mais pequeno sintoma de estar constipado. Não importa: não tornarei a pedir-lhe que a cante. Boa noite, Mr. Porcharlester.
– Não seja cruel – rogou ele. Ouvi-la-á mais cedo do que supõe.
– Ah! Diz isso com um tom misterioso! Mais cedo do que suponho… Se me prepara alguma surpresa, perdoo-lhe desde já. Espero vê-lo amanhã em casa de Mrs. Locksly.
Ele fez um gesto afirmativo e apressou-se a sair, sem dúvida receoso de atraiçoar-se de um momento para o outro. Quando desapareceu, Linda veio para a varanda e, apoiando-se ao peitoril, contemplou as estrelas que brilhavam no céu. Ao vê-la esqueci toda a minha impaciência; e os meus dentes cessaram de bater castanholas. Tirei a trompa do estojo. Linda soltou um suspiro, fechou a janela e correu a cortina. A visão da sua mãozinha, enquanto corria a cortina, inspirou-me. Vi-a sentar-se e agarrar um livro. Chegara a minha vez. Park Lane estava quase deserto, e o tráfego em Oxford Street demasiado distante para perturbar o silêncio.
Comecei. À primeira nota, vi-a ter um sobressalto e ficar imóvel, a escutar. Quando a frase completa lhe revelou o nome da música, deixou cair o livro. O bocal do instrumento parecia uma pedra de gelo, e os meus lábios estavam tão duros e gretados que, apesar do meu cuidado, mais de uma vez, a música foi interrompida por umas tossidelas estranhas e desafinadas, que os melhores cornetins não podem evitar.
No entanto, levando em conta o frio e o estado de nervos em que eu me encontrava, devo dizer que me desempenhei brilhantemente do meu papel de executante. À medida que tocava, ia ganhando confiança e, de certo modo, remediei mesmo a imperfeição do início, terminando os últimos compassos com uma sonoridade impressionante, e alcançando até, um «tremolo» bastante enternecedor, na penúltima nota.
Aplausos entusiastas vindos da rua, quando acabei, mostraram-me uma multidão ali reunida que me impedia de executar uma retirada imediata. Tornei a guardar a trompa no estojo, e preparei-me para sair logo que a populaça dispersasse. Entretanto, olhava para a cortina onde o vulto de Linda fazia sombra.
Ela escrevia agora. Seria a mim? Levantou-se e a sombra cresceu de tal forma na cortina da janela que tornou impossível adivinhar-lhe os movimentos. Ouvi o retinir de uma campainha. Um minuto depois, a porta da rua abriu-se. Escondi-me atrás de um vaso de aloés, mas, reconhecendo o criado que eu subornara, assobiei baixinho. O homem aproximou-se de mim com um papel na mão. Senti o coração pulsar com mais força.
– Vai tudo bem, senhor, – disse-me o criado. – «Miss» Linda mandou-me entregar-lhe esta carta. Mas pede o favor de não a abrir, antes de chegar a casa.
– Então, ela sabia que era eu!
– Assim o creio. Quando ouvi a campainha, tratei de acorrer imediatamente. Então, «Miss» Linda, disse-me: «Encontrarás um senhor no jardim. Entrega-lhe esta carta mas pede-lhe que não a abra antes de chegar a casa».
– Vês alguém na rua?
– Já se foram todos embora, senhor coronel. Muito obrigado, meu senhor. Muito boa noite.
Corri até Hamilton Place, onde consegui arranjar uma tipóia. Dez minutos depois, encontrava-me no meu gabinete e abria com mãos trémulas, a carta de Linda. Não estava metida em envelope, mas, apenas, dobrada em três partes, com um dos cantos voltados para baixo. Desdobrei-a e li.

714, Park Lane, Sexta-feira.
Meu Caro Porcharlester
Parei. Teria ela suposto que fora ele quem tocara a «Serenata»? Mas o mais importante era decidir se eu tinha ou não o direito de ler uma missiva que não me era dirigida. A curiosidade e o amor prevaleceram sobre os escrúpulos. A carta continuava como segue:

«Lamento o facto de o senhor não ter visto na minha paixão pela Serenata de Schubert, algo mais do que um motivo de chacota. Talvez, com efeito, fosse uma paixão exagerada, mas jamais eu lha teria dado a entender, se não acreditasse que o senhor seria capaz de compreendê-la. Ficará talvez mais satisfeito se lhe disser que conseguiu curar-me dessa paixão e posso assegurar-lhe que não voltarei a ouvi-la, sem um estranho sentimento, mescla de dor e vergonha. Eu ignorava ser possível a uma garganta humana poder soltar tais notas, como tão pouco julgava, pela promessa feita pelo senhor de cantar a Serenata mais cedo do que supunha, que o senhor engendraria tão mesquinha partida. Só tenho mais uma palavra a dizer-lhe:
Adieu. Não terei o prazer de o ver em casa de Mrs. Locksly, pois os meus compromissos não me
permitem lá ir. Pela mesma razão, receio negar-me ao prazer de o receber outra vez em minha casa.
Sem mais, subscrevo-me,
Linda Fitznightingale»

Pensei que remeter esta carta ao pobre Porcharlester, seria magoá-lo sem necessidade. Achei, também, que o meu professor tinha razão ao afirmar que eu não nascera para a música. E desde então, desisti.
Linda é hoje minha mulher. Muitas vezes, pergunto-lhe qual o motivo porque ela persiste em não receber Porcharlester, que me assegurou, dando-me a sua palavra de cavalheiro e militar, não saber em que a ofendeu. E Linda recusou-se sempre a dizer-mo.

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