Uma banda no Sábado à Noite

por Paulo Henrique
(Kíki)

Naqueles finais de semana quase no final do inverno de 1987,
saíamos eu (Kíki), Daniel, Nando, Marcelo e tantos outros camaradas na Kombi de
meu pai para fazer as festas em Canoas.

Num destes finais de semana, eu e Daniel saímos para dar uma
volta no centro e tomar um trago. Como de sempre, já no inicio da noite de
Sábado, após a banda no centro, começava a velha e boa caçada de dois amigos
cheios de vontade de se dar bem. Passávamos a ir a vários lugares da cidade que
na época não tinha praticamente opções.

Chegávamos então no clube Grêmio Niterói e encontramos todos os
camaradas e mais outras possíveis caçadas (minas). Eu fui direto já colocando
uma pilha no Daniel que precisávamos entrar no clube pois lá dentro havia
possibilidade maior de nos darmos bem. Daniel então, com sua cara que estava um
pouco estranha naquela noite, certo olhar de fome como um animal no cio,
concordou em entrar.

Tomamos algumas cevas rodamos, cercamos e nada. Passaram as
horas e nada de nos darmos bem.

Foi então que tomei uma decisão rápida e emergencial, pois já
estava quase terminando a noite. Perguntei pro Daniel se ele tava a fim de irmos
a outro lugar para continuarmos nossa caçada. Ele me perguntou onde e eu
respondi: No Estúdio 10, que na época era o último refúgio da noite a onde a
caçada poderia render mais. Daniel não gostava da idéia de ir ao Estudio10
comigo porque lá dava muito bolo (briga), mas consegui convencê-lo a
ir.

Chegando lá o Daniel já falou:

–Eu não vou entrar é muito perigoso”.

Bom não tive outra opção a não ser entrar na festa deixar o amigo na
rua sem a chave da Kombi. É claro, então comecei a procurar algum conhecido, mas
nada. Só tinha chave de cadeia e o som era como se fosse baile Funk. Meio no
desespero e, como já era tarde, as minas estavam pedindo carona para casa foi aí
que dei o bote certeiro:

–Te dou uma carona .

A mina que me olhou e disse:

–Nem te conheço”

Ai eu falei:

–Tô de Puma (na época era o carro) aí fora.

Ela respondeu:

–E e eu com isso…
Aí não ‘güentei’ e ‘arriei’:

–Meu Pai é dono do Estúdio 10 e não vai precisar pagar nada …
Aí sim ela disse:
— Vamos então…

Eu falei então que tinha um amigo meu que tava junto e que
precisava de uma amiga. Foi pra já. Ela arrumou uma amiga e então na saída
‘arriei’ de novo:

— Não vai dar para liberar o pagamento…

E justifiquei dizendo que eu não podia dizer para quem
trabalhava no caixa quem eu era. Porque ela trabalhava ali só aquela noite. Mas
me prontifiquei prá no racha da conta.

Daniel quando me viu sair com duas minas já começou a analisar
as duas para saber qual era o melhor.

–Aí, onde está o teu Puma? Perguntou a mina.

Daniel me olhou e eu mais rápido que o pensamento
arriei:

–Pô, Daniel porque tu não me avisou que meu irmão Nando veio
aqui e pegou o meu carro.

E foi aí que o Daniel arriou:

— Foi tu que deixou…

Eu, me fazendo de esquecido, prossegui com o 71 em tom
dramático:

— Puta-merda…

As minas já estavam querendo sair fora quando eu
falei:

— Ainda bem que ele deixou a Kombi da firma. Vamos
nessa…

Mandei a melhor sentar na frente e o Daniel e a outra atrás,
onde onde havia apenas um banco bem no fundo. Seguimos então para o centro
quando uma me falou:

— Moro na Mathias…

Me comprometi em deixá-la lá depois. Mas acertei que antes íamos
tomar uma ceva num Xis que tinha um estacionamento bem grande, cercado de
arvores. Todo mundo conhecia o lugar como ‘matadouro’.

Bem, lá chegando, começamos os rituais de bocação. Tudo na boa,
papos, risos e gargalhadas. Foi quando eu olhei para o banco traseiro e notei
certo clima de ‘não quero, não posso, pára com isso’. Não dei muita importância,
pois eu estava me dando bem. Aí então notei que o Daniel começava a tomar uma
postura mais forte algo que estava aflorando de maneira radical, assim como uma
fera no cio. Comecei a rir da situação que era realmente cômica.

Daniel que estava o tempo inteiro sentado no banco traseiro
dando uns pega na mina ficou empolgado com as risadas de todos ali e foi quando
aconteceu o inimáginario: A mina conseguiu se soltar de seus braços e
veio em direção ao banco da frente. Aí então Daniel levantou e quase que sem se
dar conta, ele estava em movimentos parecidos com um animal que ia acasalar com
a fêmea eu consegui ver exatamente e bem claro ele indo para todos os lados
atrás da mina que então entrou em pânico. Pedia prá ele:

— Calma, não quero neste instante…

Eu comecei a botar pilha:

–Vai Daniel Animal… Vai ela quer sim…

A minha, que estava apenas olhando, me perguntou
rapidamente:

— Ele é sempre assim?

Respondi

— Sempre.

Foi algo que até hoje me lembro muito bem. Um sábado muito
divertido. Dei muitas gargalhadas no decorrer destes anos. Não nos demos bem
naquela noite mas nos divertimos para uma vida inteira.

Grande amigo que tenho.

By Kíki

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