A história da venda das saunas e filtros residenciais

Na foto Kíki e Roberto Carlos Cover

Há alguns anos, numa época em que eu estava desempregado, aceitei o convite do Kíki prá entrar no negócio de saunas residenciais e filtros d’água. Havia uma empresa expondo na Multifeira, em Esteio RS que estava procurando representantes para a região metropolitana de Porto Alegre.
Depois de tudo acertado passamos a ir a campo tentar vender. Visitamos primeiro alguns conhecidos e parentes e conseguimos efetivar algumas vendas, principalmente de filtros d’água que eram mais baratos. O caixa do dia era fechado num boteco do centro de Canoas na base da cervejada.
À medida que sentíamos dificuldade em vender as saunas começamos a aceitar as mais diversas formas de pagamento, sendo que num certo ponto aceitamos até trocas como foi o caso do Gládi (Bode) e o computador TK85 que aceitamos por uma sauna.
Chegamos a bater de porta em porta oferecendo as ditas cujas, mas estava cada vez mais difícil vender.
Lembro que tocávamos as campainhas das luxuosas casas do bairro Jardim do Lago em Canoas RS e o pessoal muitas vezes nem sequer nos atendia. Eu falava pro Kíki que aquela estratégia não iria dar certo. Principalmente por que ele usava um tênis totalmente detonado, com uma costura feita por ele mesmo à mão na parte de cima (embora ele negue isso até hoje dizendo que era um tênis Rainha pintado à mão). Dá no mesmo. Causava uma tremenda má impressão…
Aí tivemos a idéia brilhante de focar as vendas nos motéis.
Chegamos num dos maiores motéis da região e conseguimos conquistar a atenção do dono. Ficamos de fazer uma demonstração do produto.
Como a venda era bastante promissora, e, prevendo a possibilidade de negociarmos várias saunas, o próprio pessoal da empresa para qual trabalhávamos resolveu fazer a demonstração. Veio um gerente, uma assistente de vendas e dois instaladores.
Depois de alguma conversa introdutória, fomos eu, o Kíki, o pessoal da empresa que representávamos e um representante do motel para um quarto ver o aparelho funcionar.
Os dois técnicos foram ao banheiro proceder a instalação da sauna enquanto o nosso ‘gerente’ conversava com o cara do motel. Dê-lhe malho. A assistente no lado dele distribuindo sorrisos, de frente prá parede do quarto onde havia uma TV dependurado ao alto.
Não sei se foi eu ou o Kíki, mas um de nós apertou um botão na cabeceira da cama e a TV ligou. Direto num pornozão.
A cena era bizarra, a assistente olhava prá TV, olhava pros lados constrangida, tentava achar outra posição prá não ficar de frente prá TV mas não dava. Ela tinha que ficar ao lado do gerente. Sair dali poderia representar um certo desrespeito ao cliente e até melar a venda. Resolveu ficar ali mesmo. De vez em quando ela desviava os olhos rapidamente prá TV. Não sei se porque já estava gostando do filme ou se prá se certificar se já havia terminado. Mas não. Na TV as moças da orquestra de flautas estavam recém no primeiro movimento do concerto. E nós ali, contendo o riso e de vez em quando fazendo de conta que estávamos tentando desligar o aparelho.
Aí o tal gerente de vendas se ligou, pegou levemente no braço do cara do motel e enquanto conversava foi levando-o prá fora do quarto. A assistente então se safou.

O ápice da época das saunas foi quando o Kíki engatilhou uma venda a um político da cidade.
Estávamos nos deslocando prá instalar o aparelho, quando encontramos o Alfeu no caminho. Eu falei pro Kíki:
— Pára aí que o Alfeu entende de elétrica, ele pode nos ajudar a instalar a sauna.
— Aí Alfeu, temos que instalar uma sauna tu nos da uma força?
Assim, direto, sem introdução. Enquanto o Alfeu subia no carro fomos explicando do que se tratava.
Não lembro se lhe dissemos que tínhamos ferramentas, ou ele se conseguiu algumas. O fato é que de repente estávamos lá, no banheiro do apartamento do cara instalando a sauna.
A mulher do tal político, eu, o Kíki e o Alfeu dentro do banheiro. O Alfeu dê-lhe furadeira na parede logo acima da banheira.
Aí a mulher perguntou:
— Essa é uma sauna seca né? Não posso estragar as paredes do meu banheiro…
O Kíki falou que sim, o que não correspondia totalmente à verdade. Tanto é que minutos depois começou a cerrar tudo de vapor e a escorrer gotículas de água pelas paredes do banheiro.
Tentando distrair a atenção, ele não parava de falar e de gesticular.
Então, de repente a mulher falou apontando prá um filete de água que escorria do aparelho:
— Aquilo ali é um vazamento?
Escorria água pela parede feito uma vertente, indo da sauna direto prá dentro da banheira.
O meu senso de prudência logo me despertou para o perigo que aquilo representava pois tratava-se de um equipamento ligado em 220 volts.
O Kíki, com a cara de pau tradicional, deu um passo a frente e falou:
— Não, isso aqui a senhora faz o seguinte: pega um pedacinho de papel ..
Então passou a rasgar um pedaço de uma revista e a amassar fazendo uma bolinha de papel que levou com um dos dedos até o ponto de vazamento embaixo da sauna.
— É só colocar aqui… e.. TRRRRRRRRRRRRR…
Tomou um choque que quase ficou grudado no aparelho. Foi coisa de segundos, mas deu um susto em todo mundo, principalmente nele que começou a esfregar o dedo com a ponta tostada enquanto falava:
— Bah, xarope esse lance…
Em seguida, conseguiu convencer a mulher que enviaria um técnico para corrigir o problema, pegou os cheques e fomos embora.
Alguns dias depois quando o cliente sustou os cheques, ele deu mais uma sauna de brinde compensando de certa forma o inconveniente causado

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