Poemas em Prosa – Mário Quintana

Poemas em prosa

A Guerra e o Desespero
As guerras têm aparentemente o fim de destruir o inimigo. O que elas conseguem afinal é destruir parte da humanidade — quando esta é atingida da psicose do suicídio. Isso não quer dizer que cada uma das partes se suicide pessoalmente. Nada de covardias. Para salvar as aparências, cada uma delas suicida a outra. Seria ridículo atribuir qualquer idéia de expurgo à Natureza — com N maiúsculo. E, por outro lado, seria humor negro atribuí-lo a insondáveis desígnios da Divina Providência.

Deixemos as maiúsculas em paz. Agora, o último pretexto invocado é o das guerras ideológicas. Muito bonito! Mas quem foi que disse que se trata de idéias? Trata-se de convicções. As quais nada têm a ver com a lógica. Eis um exemplo das convicções: eu sou gremista, tu és colorado. Ora, duvido que qualquer um de nós descubra alguma razão lógica para isso. Agora, passando para um domínio mais amplo, universal, vamos procurar um exemplo das idéias.

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Esta linha de pontinhos quer dizer que ainda estou procurando. Em todo caso, tenho de confessar que usar de idéias para examinar as guerras e guerrilhas é recorrer a um instrumento inadequado – assim como quem servisse de um microscópio para distinguir um rinoceronte que já vem vindo a toda para cima da gente.

— E então, ó homo sapiens, que vais fazer nesta situação desesperada?

— Ora, alistar-me… Toda opção é um ato de desespero.

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