Poemas – Paulo Leminski

Poemas – Paulo Leminski

eu

quando olho nos olhos

sei quando uma pessoa

está por dentro

ou está por fora

quem está por fora

não segura

um olhar que demora

de dentro do meu centro

este poema me olha

PAREÇA E DESAPAREÇA

Parece que foi ontem.

Tudo parecia alguma coisa.

O dia parecia noite.

E o vinho parecia rosas.

Até parece mentira,

tudo parecia alguma coisa.

O tempo parecia pouco,

e a gente se parecia muito.

A dor, sobretudo,

parecia prazer.

Parecer era tudo

que as coisas sabiam fazer.

O próximo, eu mesmo.

Tão fácil ser semelhante,

quando eu tinha um espelho

pra me servir de exemplo.

Mas vice versa e vide a vida.

Nada se parece com nada.

A fita não coincide

Com a tragédia encenada.

Parece que foi ontem.

O resto, as próprias coisas contem.

SINTONIA PARA PRESSA E PRESSÁGIO

Escrevia no espaço.

Hoje, grafo no tempo,

na pele, na palma, na pétala,

luz do momento.

Sôo na dúvida que separa

o silêncio de quem grita

do escândalo que cala,

no tempo, distância, praça,

que a pausa, asa, leva

para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,

eis que a luz se acendeu na casa

e não cabe mais na sala.

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