O Foguete Quase Detonou….

Durante toda minha juventude morei no mesmo lugar: No prédio da Quaraí 83, próximo a BR116, no Bairro Niterói em Canoas. Para os mais antigos o local era conhecido como ‘antiga 19’ numa referência ao movimentado ponto de ônibus que havia ali. Na verdade esta expressão ‘antiga 19’ ficou também conhecida para indicar essa região do bairro que era reconhecidamente marcada por brigas, roubos e outros eventos violentos que invariavelmente exigia a presença policial.

Neste cenário, eu e meus irmãos nos criamos e aprendemos a conviver com pessoas de todo tipo, desde aqueles que apesar das imensas dificuldades se dedicavam ao trabalho honesto como também aos que preferiam sustentar-se à margem da lei e cometiam desde delitos leves e até crimes mais graves.

Esta interação com os chamados ‘bocas brabas’ se dava no dia-a-dia fosse num jogo de futebol, numa conversa na esquina, numa roda de violão ou ainda no balcão da oficina de aparelhos eletrônicos de propriedade de meu pai . Para completar a biodiversidade daquele ambiente havia também os inquilinos das casas de aluguel que meus pais possuíam ao lado e aos fundos de minha residência. Na maioria gente trabalhadora e sofrida, sendo muitos oriundos do interior que vieram para a região metropolitana tentar uma sorte.

Aprendi ao longo deste convívio a ter um certo traquejo ao lidar com pessoas que em algumas situações se mostravam imprevisíveis e violentas. Tinha vezes que uma simples conversa descambava prá ofensa e daí prá porrada, sem falar nas vezes que alguém decidia mostrar a força de uma arma no exercício da retórica.

Mas engana-se quem acha que a ameaça de uma arma por si só implicaria no término de um debate. Não. Eu presenciei uma vez um cara no meio de uma discussão sobre música, futebol ou outra banalidade puxar a arma da cintura, engatilhar e colocar na cara de um outro colega como que dizendo:
–“E aí quem está com a razão agora?”
Naquele momento, embora eu fosse apenas espectador, senti a adrenalina subir e o natural instinto de sobrevivência me exigir que eu me fastasse logo. Mas o sujeito que foi intimidado, o Gordo, ficou sentado ali no meio-fio com a arma engatilhada na testa e,como se a situação estivesse sob controle continuou sustentando o seu ponto de vista no debate e ainda por cima provocou:
–” Se tu vai puxar essa merda atira duma vez.”
O cara que sacara a arma, deu um sorriso e guardou-a. Até hoje eu me pergunto, se aquele gesto do Gordo era coragem ou certa banalização do valor da própria vida.

Como este acontecimento, presenciei vários outros que hoje reconheço, ao longo do tempo desenvolveram um mim um certo grau de vigilância que até hoje suscita brincadeiras dos amigos.

Quando mais tarde quando passei a estudar no Colégio São Paulo, escola particular, ampliei meu círculo de amizades passando a integrar uma turma de mesmo nível econômico e familiar que o meu. Nas festinhas que freqüentávamos, devido a minha experiência no tal ‘ambiente hostil’ já citado, eu era aquele que sempre alertava quando uma briga ou confusão estava na iminência de acontecer. Além deste ‘sexto sentido’ que nos livrou de algumas enrascadas justamente por ter nos dado uma certa dianteira na hora de correr, a minha residência, na rua Quaraí, me dava uma outra vantagem que na época fez uma grande diferença: Eu contava com algumas amizades que freqüentemente eram acionadas para me garantir a segurança fosse na saída da colégio ou de alguma festa. Analisando hoje, quando décadas já se passaram vejo que em alguns momentos exagerei na utilização de minha ‘guarda particular’. Sobretudo porque ‘comprei’ algumas brigas que nem eram minhas.

Uma vez , no colégio um cara bateu no meu amigo Miltinho. Quando eu soube eu fui lá e dei um soco na cara do sujeito, sem nem ouvir a versão dele prá briga. Na seqüência, o tal cara arrumou uns amigos prá me pegar na saída do colégio. Consegui fugir no primeiro dia e como eu sabia que eles não iriam desistir, resolvi atacar. Peguei uns camaradas lá da Quaraí, se não me engano o Frega, o Muminha e uns outros e fomos até um bar onde os inimigos jogavam snooker, há algumas quadras do colégio.

O Frega entrou no bar e já foi provocando, não quis nem saber: pegou as bolas e foi colocando nas caçapas no meio do jogo dos caras. O primeiro que perguntou o que era aquilo levou uns tapas dele e do Muminha. Os outros se intimidaram e ficaram quietos.

Aí o Frega anunciou que se alguém se metesse comigo outra vez eles voltariam ali e bateriam em todos. Na saída ele ainda puxou um ‘Chaco’ da cintura, fez algumas evoluções desajeitadas enquanto mantinha no rosto um careta de mau.

Saí dali aliviado. De fato nunca mais vi aqueles caras nas imediações da escola.

Outra vez estávamos eu e meus amigos Nando e Beto caminhando pela Venâncio Aires, em direção à minha casa na Quaraí quando, ao passar pela frente de um bar uns caras gritaram:

–Porque que tão olhando seus ‘vasilhas’?

Na época, a referência ao utensílio doméstico era o mesmo que chamar alguém de ‘viado’, ou seja, os caras nos ofenderam de graça e não poderíamos retrucar pois além de serem em maior número eram uma ‘rafa’ conhecida ali das imediações.

Ficamos quietos e seguimos nosso caminho.

Quando cheguei próximo a minha casa encontrei o Foguete (leia-se FUguete), um camarada ali da Quaraí que além de forte era bom de briga. Sobre este cara haviam histórias de briga que eram contadas por vários conhecidos ali da rua. Ele mesmo vivia contando as confusões em que batia nuns 3 ou 4. Relatos esses que sempre eram confirmados por outros que estavam na roda, o que não garante a veracidade pois desconfio que muitos tinham era medo de contestá-lo.

Contei então pro Foguete o que tinha acontecido e ele logo se prontificou a ir até o bar:

— Eu vou lá e vocês me mostram os caras…

Concordamos pois o sangue ainda estava quente por termos sidos ofendidos sem termos feito nada que justificasse aquela provocação.
Quando chegamos no bar, o Foguete parou na frente da porta e perguntou:

— São esses aí?

Antes que eu respondesse uns dois ou três já foram saindo e indo embora devagar pois conheciam o meu amigo e provavelmente a lenda que três ou quatro eram pouco prá ele.

Demorei um pouco prá responder pois já estava até com pena dos sujeitos. Mas também não podia deixar de indicar alguém pois nas próximas vezes o Foguete não se disporia a me ajudar.

Respirei fundo e falei:

–Aquele alemão ali…

Os mais corajosos que haviam sobrado no interior do bar perceberam a deixa prá se evadirem do local: Não era com eles, o alemão que se virasse.

De fato o cara que eu apontei foi o que tinha nos provocado.

O Foguete então avançou prá cima dele. Enquanto caminhava ele ia sacando um trezoitão prateado que estava escondido na cintura. Ato contínuo, ele colocou o canhão no rosto no alemão e falou:

— Porque tu provocou o meu primo?

O coitado do sujeito se encolheu todo colocando as mãos entre a arma e sua cara de apavorado:

— Pelo amor de Deus Foguete, não atira… Eu falei brincando, eu conheço o cara e até já fui na
casa dele. Eu estudei com o irmão dele…

Tanto eu quanto o Nando e o Beto ficamos totalmente surpresos pois não sabíamos que o Foguete estava armado. Imagina se ele atira no cara agora, nós vamos entrar numa fria sem tamanho… Que eu conhecia esse alemão até que era verdade, ele era um conhecido ladrãozinho das redondezas. Quanto a ele já ter ido na minha casa, bem, resolvi não contestar porque a situação estava prá lá de tensa. Vai que o Foguete dispara aquele troço… Já estava até me arrependendo de ter reclamado da provocação pro Foguete quando ele falou pro cara:

— Então tu nunca mais faz isso. Porque se tu fizer eu te detono…

Depois disso, colocou de novo o trabuco na cintura, puxou a camisa por cima prá esconder a arma e ainda me perguntou:

— Quer dar umas porradas nele?

Eu disse que estava satisfeito. Foguete fez um gesto com a cabeça nos convidando a ir embora. Ainda dei uma olhada prá trás e vi o alemão na mesma posição com os olhos fechados de pavor, todo encolhido com as mãos frente ao rosto colado na parede do bar.

Alguns anos depois eu soube que Foguete tinha sido assassinado a tiros.

Transgênicos: Querem impedir você de saber o que está consumindo

Nos últimos dias tem chegado às prateleiras de todo o Brasil as primeiras embalagens de óleos de soja rotuladas como transgênicos. Depois de dois anos de espera e desrespeito a Lei de Rotulagem as empresas finalmente cumprem a lei de rotulagem de 2004.
Segundo a lei 4.680/03, em vigor desde abril de 2004, produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica devem trazer essa informação no rótulo, com a presença do símbolo T em meio a um triângulo amarelo.
Mas esse importante passo para que seja respeitado o direito do consumidor pode terminar quando for aprovada a proposta de decreto legislativo 90/2007 da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) . Quem faz o alerta é o Greenpeace.
Segundo a organização de defesa do meio ambiente esse projeto pretende acabar com a obrigação das empresas de informarem nos rótulos de seus produtos o uso ou não de matéria-prima transgênica em sua fabricação além de acabar com a obrigação de informar nos rótulos que os produtos tenham sido fabricados com animais alimentados com ração transgênica.
Segundo Gabriela Vuolo coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace “O consumidor tem o direito de saber o que está comprando e comendo, e as empresas têm que respeitar esse direito, fornecendo essa informação. Apesar de estar em vigor desde 2004, a lei de rotulagem vem sendo desrespeitada pela maioria das empresas”. Ela lembra também que as únicas empresas que se adequaram a lei – Bunge e Cargill – o fizeram apenas parcialmente e mesmo assim só depois de decisão judicial.” Essas empresas só rotularam seus óleos de soja Soya, Liza e Veleiro como transgênicos em janeiro de 2008, depois de muita pressão do Greenpeace.
Lei a a matéria completa no site do GREENPEACE aqui
O greenpeace convida os brasileiros para que se manifestem enviando carta de protesto a todos os senadores.
FONTE: GREENPEACE

Macaco Move Objetos com o Pensamento

Na foto de divulgação da pesquisa, o macaco Arthur manipula um braço robótico conseguindo trazer alimento para sua boca.

Cientista tem sucesso numa incrível experiência na Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos: Macacos conseguiram conseguiram mover através de eletrodos ligados ao cérebro um braço mecânico que lhes permitiu alimentarem-se. utilizando apenas a mente. para se alimentarem, enquanto seus próprios braços estavam presos.

A impressionante façanha foi conseguida depois que os cientistas conseguiram fazer com que o computador interpretasse corretamente sinais elétricos emitidos pelo cérebro desses animais quando se movimentam.
A intenção dos pesquisadores é desenvolver próteses que sejam comandadas pelo cérebro de pessoas portadoras de doenças neurológicas entre elas a esclerose lateral amiotrófica, ou ainda por pessoas com lesões graves na medula espinhal.

O estadu foi publicado na revista científica “Nature” e é liderado pelo professor Andrew Schwartz, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.
Fonte: G1

Tem Louco prá Tudo – A Tabela Periodica

Da série ” Tem Louco prá Tudo”: O cara aí da foto fez uma tatuagem com a tabela periódica no braço. Ou é muito fissurado em química ou está pensando em usar o próprio corpo como cola nas provas da escola.

Se- Poema traduzido de Rudyard Kipling

If (Rudyard Kipling)

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise:

If you can dream – and not make dreams your master,
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ‘em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: “Hold on!”

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings – nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And – which is more – you’ll be a Man, my son!

Se (Rudyard Kipling – tradução Filippo Pardini)

Se és capaz de manter a calma quando todos ao teu redor
a estão perdendo e te culpando por isso,
Se és capaz de acreditar em ti quando todos duvidam,
dando o devido crédito às suas dúvidas;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou enganado, não passar a mentir,
ou sendo odiado, não dar vazão ao ódio,
e mesmo assim não parecer bom demais, nem pretensioso:

Se és capaz de sonhar sem que teus sonhos te escravizem,
Se és capaz de pensar sem fazer dos teus pensamentos a única meta;
Se és capaz de encontrar o triunfo e a desgraça
e tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de suportar ouvir as verdades que disseste
torcidas e transformadas em armadilhas para tolos,
ou ver as coisas pelas quais deste a vida, estraçalhadas,
e te esforçar para reconstruí-las com as ferramentas gastas que te restam:

Se és capaz de juntar tudo que ganhaste em tua vida
e arriscar tudo isso de uma única vez,
e perder, e recomeçar tudo novamente
e apesar disso jamais dizer uma única palavra sobre a tua perda;
Se és capaz de forçar coração, nervos e tendões
até que não agüentem mais,
e mesmo assim ir em frente mesmo quando não sobrar nada em ti
a não ser a consciência que lhes impõe “agüentem firme!”

Se és capaz de falar com o povo mantendo teus princípios éticos,
ou no meio de reis não perder a naturalidade,
Se és imune a inimigos pessoais e a grandes amigos,
Se a todos podes ser de apoio sem exageros;
Se és capaz de preencher o minuto fatal
com sessenta segundos de grande valor,
Tua é a terra e tudo que há nela,
e – o que mais importa – tu és um Homem, meu filho!

Curiosidades Dos Anos 1600 e 1700

Curiosidades dos anos 1600 a 1700

– Ao se visitar o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o
suntuoso palácio não tem banheiros. Na Idade Média, não existiam dentifrícios
ou escovas de dente, perfumes, desodorantes, muitos menos papel higiênico. As
excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio. Em dia de
festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquete para 1.500 pessoas,
sem a mínima higiene.

– Vemos, nos filmes de hoje, as pessoas sendo abanadas. A explicação
não está no calor, mas no mau cheiro que exalavam por debaixo das saias (que
propositalmente eram feitas para conter o odor das partes íntimas, já que não
havia higiene).

Também não havia o costume de se tomar banho devido ao frio e à quase
inexistência de água encanada. O mau cheiro era dissipado pelo abanador. Só
os nobres tinham lacaios para abaná-los, para dissipar o mau cheiro que o
corpo e boca exalavam, além de, também, espantar os insetos. Quem já esteve
em Versailles admirou muito os jardins enormes e belos que, na época, não
eram só contemplados, mas “usados” como vaso sanitário nas famosas baladas
promovidas pela monarquia, porque não existia banheiro.

– Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de junho
(para eles, o início do verão). A razão é simples: o primeiro banho do ano
era tomado em maio; assim,em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável.
Entretanto, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam
buquês de flores, junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro.Daí termos maio
como o “mês das noivas” e a origem do buquê de noiva explicada.

– Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água
quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água
limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem
de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês
eram os últimos a tomar banho. Quando chegava a vez deles, a água da tina já
estava tão suja que era possível “perder” um bebê lá dentro. É por isso que
existe a expressão em inglês “don’t throw the baby out with the bath water”,
ou seja, literalmente, “não jogue fora o bebê junto com a água do banho”,que
hoje usamos para os mais apressadinhos.

– O telhado das casas não tinha forro e as vigas de madeira que os
sustentavam era o melhor lugar para os animais – cães, gatos, ratos e
besouros se aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a
pularem para o chão. Assim, a expressão “está chovendo canivete” tem o seu
equivalente em inglês em “it’s raining cats and dogs” (está chovendo gatos e
cachorros).

– Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos
tipos de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente morresse
envenenada (lembremos-nos de que os hábitos higiênicos, da época, eram
péssimos). Os tomates, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo,
venenosos. Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa
combinação, às vezes, deixava o indivíduo “no chão” (numa espécie de
narcolepsia, induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho).
Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estivesse morto e, assim,
recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era, então,colocado sobre a
mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília,
comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu
o velório, que é a vigília junto ao caixão.

– A Inglaterra é um país pequeno, onde nem sempre havia espaço para
se enterrarem todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos
retirados e postos em ossários e o túmulo utilizado para outro cadáver. Às
vezes, ao abrirem os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do
lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido
enterrado vivo. surgiu, assim, a idéia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma
tira no pulso do defunto, passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la
a um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo,
durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o
sino tocar. E ele seria “saved by the bell”, ou “salvo pelo gongo”,expressão
usada por nós até os dias de hoje.

Se- Poema Traduzido de Rudyard Kipling

If (Rudyard Kipling)

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise:

If you can dream – and not make dreams your master,
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ‘em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: “Hold on!”

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings – nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And – which is more – you’ll be a Man, my son!

Se (Rudyard Kipling – tradução Filippo Pardini)

Se és capaz de manter a calma quando todos ao teu redor
a estão perdendo e te culpando por isso,
Se és capaz de acreditar em ti quando todos duvidam,
dando o devido crédito às suas dúvidas;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou enganado, não passar a mentir,
ou sendo odiado, não dar vazão ao ódio,
e mesmo assim não parecer bom demais, nem pretensioso:

Se és capaz de sonhar sem que teus sonhos te escravizem,
Se és capaz de pensar sem fazer dos teus pensamentos a única meta;
Se és capaz de encontrar o triunfo e a desgraça
e tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de suportar ouvir as verdades que disseste
torcidas e transformadas em armadilhas para tolos,
ou ver as coisas pelas quais deste a vida, estraçalhadas,
e te esforçar para reconstruí-las com as ferramentas gastas que te restam:

Se és capaz de juntar tudo que ganhaste em tua vida
e arriscar tudo isso de uma única vez,
e perder, e recomeçar tudo novamente
e apesar disso jamais dizer uma única palavra sobre a tua perda;
Se és capaz de forçar coração, nervos e tendões
até que não agüentem mais,
e mesmo assim ir em frente mesmo quando não sobrar nada em ti
a não ser a consciência que lhes impõe “agüentem firme!”

Se és capaz de falar com o povo mantendo teus princípios éticos,
ou no meio de reis não perder a naturalidade,
Se és imune a inimigos pessoais e a grandes amigos,
Se a todos podes ser de apoio sem exageros;
Se és capaz de preencher o minuto fatal
com sessenta segundos de grande valor,
Tua é a terra e tudo que há nela,
e – o que mais importa – tu és um Homem, meu filho!