O boato do Leite Reciclado (reprocessado)

Estava num supermercado fazendo compras ontem à noite quando me deparei com uma promoção de leites Elegê em embalagem Longa Vida.
Comecei a pegar algumas caixas quando um senhor que estava ao lado me falou que o leite estava mais barato porque se tratava de leite reprocessado ou reciclado. Segundo ele, após vencido o prazo de validade o leite retorna para a fábrica onde então é reprocessado e recolocado em embalagens para ser vendido com um novo prazo de validade.
Ele inclusive me mostrou a teórica ‘prova’ do tal reprocessamento: Um número pequeno no fundo da embalagem Tetrapak que ia de 1 até 5 e que indicaria quantas vezes o leite já havia retornado para a fábrica e ‘re-validado’.
Desconfiei da informação, mas por via das dúvidas tratei de pegar os que tinham o número 1 no fundo caixa.
Hoje fui atrás da informação sobre essa história de reciclagem do leite e descobri que se trata de mais uma daquelas lendas urbanas sem nenhum fundamento.

Numa rápida pesquisa na internet pude constatar que o tal numerozinho no fundo da embalagem tetrapak refere-se ao número do corte da bobina na produção das caixinhas. Explico: Ocorre que as caixas utilizadas em embalagens do tipo longa vida (tetrapak) são fabricadas a partir de um rolo que é cortado em tiras. Cada subdivisão do rolo é considerado como 1 corte. Assim o número no fundo da caixa representaria a ‘faixa’ do rolo (corte da bobina) que originou aquela embalagem.

Além disso, descobri que até por questões de custos não seria economicamente viável reprocessarem os leites de caixinha. Isso porque a comparação do preço do litro do leite em relação ao custo da embalagem seria mais ou menos a seguinte: O leite custa em torno de 0,15 centavos e a embalagem tetrapak em torno de 0,35 centavos. Ou seja, nãao valeria a pena usar uma embalagem nova para recolocar no mercado um leite reprocessado.
O que pode ocorrer é a reutilização do leite (desde que esteja em excelentes condições) para fazer outros produtos derivados como natas, iogurtes, manteigas, etc mas não ser apenas ‘reprocessado’ e renovado o prazo de validade do produto.

As informações encontradas neste Link da UFRJ que reproduzo abaixo esclarecem a questão envolvendo o suposto ‘reprocessamento’ de leite:

Leite Longa-Vida: Informe sobre a “urban legend” do número 1 a 5 no fundo da caixinha

Esse alerta que está sendo divulgado pela Internet, acusando a re-pasteurização do leite longa-vida, onde o número 5, no fundo da caixa, indicaria que já foi recolhido e recolocado no mercado, por cinco vezes, não tem fundamento.
O reprocessamento do leite longa-vida tenderia a escurecer o produto, provocando um tom “caramelizado”, como podemos observar, por exemplo, no “doce de leite”. Não parece tecnicamente viável reprocessar e tornar a vender como “leite longa-vida”. Teria mais lógica, nesse caso, direcionar esse leite para a fabricação de outros produtos, como Bebida Láctea sabor chocolate. E parece que isso é usual quando algum problema é detectado na produção e esta ainda se encontra na “quarentena”.
Já quanto ao número, de 1 a 5, no fundo da caixinha, na orelha inferior do pacote, aquilo é uma impressão do fabricante de embalagens, da Tetrapak, e corresponde ao número da faixa do papel que pode variar de 1a 5, representando a posição da bobina no momento do corte. E´ um dado importante para o controle de qualidade da própria TETRA PAK, da embalagem, e não do leite.
Tentemos, então, ilustrar como são fabricadas as caixinhas: existe um rolo, ou uma bobina, de embalagem “tetrapak” (camadas de papel, alumínio e plástico). E´ mais ou menos como um rolo de papel higiênico, de papel para FAX ou um rocambole. Essa bobina é colocada na máquina que vai embalar o leite esterilizado (UHT – Ultra High Temperature).
A bobina é muito larga e a máquina vai fatiar em faixas, para fabricação automatizada das caixinhas. São cortadas cinco fatias longitudinais. As fatias externas, laterais, são numeradas como faixas 1 e 5. A fatia vizinha à faixa 1 é a faixa 2. E vizinha à 5 é a faixa 4. A fatia central recebe o número 3. Todas as 5 faixas têm o mesmo número básico, que corresponde ao número de fabricação da bobina, variando apenas o número da faixa (que é de 1 a 5, em cada bobina).
Cada faixa deveria ser suficiente para, normalmente, produzir 15 mil caixinhas ou, obviamente, para empacotar aproximadamente 15 mil litros de leite.
Existem questões muito graves, não essa, para se discutir sobre a qualidade do leite, começando pela presença de resíduos de drogas veterinárias. Mas também o “modelo econômico” do PSDB e do PT que, mediante políticas tributárias, mas também mediante normas sanitárias, inviabilizam as pequenas empresas, as cooperativas e a embalagem em plástico que seria mais compatível com a realidade sócio-econômica brasileira, ao mesmo tempo que provocam desemprego, concentração de renda, evasão de divisas e, conseqüentemente, miséria e desnutrição. Mas, nesse mundo de símbolos e mídia em que vivemos, as mentiras simplificadas têm merecido mais atenção. Tirar esses véus e colocar esses problemas sob a luz do sol é a missão do LabConsS – Laboratório de Consumo & Saúde da UFRJ.
Luiz Eduardo R. de Carvalho
Eng. de Alimentos
lercarvalho@infolink.com.br
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Transgênicos: Querem impedir você de saber o que está consumindo

Nos últimos dias tem chegado às prateleiras de todo o Brasil as primeiras embalagens de óleos de soja rotuladas como transgênicos. Depois de dois anos de espera e desrespeito a Lei de Rotulagem as empresas finalmente cumprem a lei de rotulagem de 2004.
Segundo a lei 4.680/03, em vigor desde abril de 2004, produtos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica devem trazer essa informação no rótulo, com a presença do símbolo T em meio a um triângulo amarelo.
Mas esse importante passo para que seja respeitado o direito do consumidor pode terminar quando for aprovada a proposta de decreto legislativo 90/2007 da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) . Quem faz o alerta é o Greenpeace.
Segundo a organização de defesa do meio ambiente esse projeto pretende acabar com a obrigação das empresas de informarem nos rótulos de seus produtos o uso ou não de matéria-prima transgênica em sua fabricação além de acabar com a obrigação de informar nos rótulos que os produtos tenham sido fabricados com animais alimentados com ração transgênica.
Segundo Gabriela Vuolo coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace “O consumidor tem o direito de saber o que está comprando e comendo, e as empresas têm que respeitar esse direito, fornecendo essa informação. Apesar de estar em vigor desde 2004, a lei de rotulagem vem sendo desrespeitada pela maioria das empresas”. Ela lembra também que as únicas empresas que se adequaram a lei – Bunge e Cargill – o fizeram apenas parcialmente e mesmo assim só depois de decisão judicial.” Essas empresas só rotularam seus óleos de soja Soya, Liza e Veleiro como transgênicos em janeiro de 2008, depois de muita pressão do Greenpeace.
Lei a a matéria completa no site do GREENPEACE aqui
O greenpeace convida os brasileiros para que se manifestem enviando carta de protesto a todos os senadores.
FONTE: GREENPEACE