O Mistério da Harrods Buenos Aires e os 10 anos da morte da princesa Diana


Uma coisa que me intrigou quando estive em Buenos Ayres recentemente foi como pode uma loja como a Harrods, que ocupa uma extensa área no centro da capital argentina, estar totalmente abandonada?
Esta curiosidade se iniciou logo no primeiro dia de minha estadia no Hotel NH Florida, cuja janela do quarto que eu ocupava dava de frente para a fachada lateral do prédio onde um dia fora a suntuosa filial argentina da Harrods, uma das mais tradicionais lojas da Inglaterra.

Olhando da janela do quarto dava prá ver um pouco o interior, com manequins desmontados, cortinas empoeiradas, plantas ressequidas, móveis empilhados, que a julgar pelos traços de qualidade sugeriam um passado próspero perdido no tempo. Que motivo teria levado a desativação da loja? Como um estabelecimento desse porte, numa das mais valorizadas áreas da Argentina pode ficar assim, jogado às traças? Considerando o quanto o proprietário poderia ganhar se alugasse um imóvel daquelas proporções e privilegiada localização, chega a ser inacreditável não o faça.

Até então meu pouco conhecimento sobre a rede de lojas Harrod se restringia ao fato de que a famosa rede de lojas inglesa era de propriedade de Mohamed Al-Fayed, pai de Dodi Al Fayet, o namorado da princesa Diana que morreu com ela no trágico acidente em 31 de agosto de 1997.
Parado ali na sacada do quarto do hotel, no centro de Buenos Ayres, cheguei a cogitar que talvez o abandono desta loja estivesse relacionado à súbita morte do herdeiro da Harrods.
Passado alguns meses de minha visita à capital argentina, tive mais uma razão para esmiuçar o passado da Harrods Buenos Aires e tentar descobrir o motivo de tal abandono: Justamente hoje, 31 de agosto de 2007, faz 10 anos em que a mercedes do casal Dodi e Diana acidentou-se num túnel de Paris enquanto tentavam fugir dos paparazzos.

Após alguma pesquisa minha hipótese precipitada de que o fechamento da loja argentina poderia ter alguma relação com a morte do milionário resultou completamente infundada.
O pai de Dodi AL Fayet, Mohamed Al-Fayed adquiriu a rede de lojas Harrods em 1985 por 615 milhões de libras. Seus investimentos na cadeia de lojas só a fez prosperar ainda mais. Muito antes disso, a Harrods britânica já havia se separado da filial argentina.

A Harrods Buenos Aires foi a primeira da rede inglesa a ser instalada fora de Londres. Instalada em 1912 como uma subsidiária da matriz inglesa separou-se em 1940 tornando-se uma empresa totalmente independente. Como a loja argentina continuou a usar o nome Harrods foi processada pela Harrods inglesa pela utilização indevida do nome. Uma corte inglesa permitiu a utilização do nome com a condição de que ficasse restrito a américa do sul.

Nos tempos áureos, a loja de Buenos Aires chegou a contar com 100 departamentos numa área de 47.000 m2 que incluía escadarias em mármore, pisos de cedro, elevadores com capacidade para 20 clientes, entre outros luxos condizentes com sua linhagem britânica. Mas o declínio sobreveio gradativamente junto com a hiperinflação argentina nos anos 90.

Em 1998, quando já estava operando apenas no térreo e com a metade dos empregados de outrora, fechou suas portas. Em 2001 foi reaberta operando parcialmente até 2004 quando finalmente foi fechada.

Atualmente a Harrods argentina foi comprada pela empresa italiana Bask Net e cogita-se que deva abrir novamente em breve.
Já a Harrods inglesa segue de vento em popa desde sua aquisição pela família Fayet. Entre seus clientes já estiveram nomes ilustres como Oscar Wilde, Lilly Langtry, Ellen Terry, Sigmund Freud e A. A. Milne, além de muitos outros nobres britânicos.

Pronto, está desfeito o mistério.

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