Soneto Azul – Mário Quintana

Soneto azul – Mário Quintana

quando desperto mansamente agora
é todo um sonho azul minha janela
e nela ficam presos estes olhos,
amando-te no céu que faz lá fora.

tu me sorris em tudo misteriosa…
e a rua que – tal como outrora – desço,
a velha rua, eu mal a reconheço
em sua graça de menina-moça…

riso na boca e vento no cabelo,
delas vem vindo um bando… e ao vê-lo
por um acaso olha-me a mais bela.

sabes, eu amo-te a perder de vista…
e bebo então, com uma saudade louca,
teu grande olhar azul nos olhos dela!

Mário Quintana

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Soneto Do Amor Total Vinícios de Moraes

Soneto do amor total

Amo-te tanto meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.